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Família reclama de ameaças após denúncia de maus-tratos a cão doente

Caso Carapicuíba – Denúncia de abandono e falso resgate

princesa foto facebook

Foto da denúncia no Facebook, Clique para ver o texto completo

Quando respondeu com ironia às duas moças que surgiram em seu portão questionando o tratamento dado a seu animal de estimação, Nicolau não sabia onde estava se metendo. Irritado com as perguntas do tipo “porque está tão magro?”, “não é alimentado?”, “o senhor sabia que isso é crime?”, Nicolau mandou elas irem à delegacia denunciar e mandar prendê-lo, se quisessem.

Logo depois, começou a receber ligações de pessoas indignadas, acusando-o de negligência, além de ameaças de processo por crime de maus-tratos. Isso porque uma foto de sua garagem, com endereço, tinha sido divulgada no Facebook e Twitter, com apelo para resgate urgente do animal vítima de abandono.

Apesar de a imagem mostrar as vasilhas com água e ração, o corpo debilitado do animal e o apelo comovente da denúncia (clique na foto para ler) geraram milhares de compartilhamentos – mais de 2 mil só na página “Direito dos Animais”, que tem 280 mil seguidores.

O “Caso Carapicuíba” cresceu mais ainda com relatos de visitas ao local: “o dono é muito bravo”, “ele deu um sumiço no cachorro”, “ele é um monstro com histórico de maus-tratos”, “na garagem tem carros e moto, mas não alimenta o animal”.

Aos que ligavam, Nicolau informava que já tinha envenenado o animal, ou usado uma injeção, sem medir as consequências da revolta que suas respostas irônicas estavam causando.

Como não usa Facebook, Nicolau decidiu pedir à neta para esclarecer a situação nos comentários. Mas seus argumentos, com a frase “vocês não sabem nada sobre maus-tratos de animais”, só piorou as críticas e ele foi xingado mais ainda.

O FALSO RESGATE

falso resgate de cão sob maus-tratos

Divulgação do resgate, apesar da falta de fotos. Credibilidade dos protetores de animais no Facebook

Dois dias após a denúncia veio a notícia do resgate, com a mesma foto, informando que o cão estava a salvo, graças a  “dois anjos” que o livraram de seu dono negligente.

Ao ver a foto, o dono diz que achou muito engraçado. “Quem ligava para saber onde estava o “cachorro”, eu respondia “já mandei para o cemitério”, conta rindo.

A VISITA 

Decidi conhecer o caso de perto. No endereço indicado fui atendida por uma adolescente. Me apresentei como blogueira, interessada na história do cão. Ela foi chamar o avô, Nicolau Oliveira, que me mostrou o animal, uma fêmea SRD (sem raça definida) de porte médio, chamada Princesa.

Segundo Nicolau, Princesa já está velha (14 anos) e após uma queda foi diagnosticada com displasia coxofemural, doença ortopédica comum em raças grandes. “O médico entrou com antibióticos e anti-inflamatórios, e ela está convalescendo”, explicou, mostrando a comida recém-preparada conforme recomendação médica: “arroz cozido com pé de frango, porque a cartilagem ajuda na recuperação”.

“Princesa nunca usou coleira, porque é muito dócil e vive no quintal, sem casinha. Quando é levada para a garagem (o local da foto) “ela gosta de ficar na brita porque é mais fresquinho. E foram dizer que ela fica no meio do entulho, ao relento, no sol e chuva. Mas o local é coberto! Como podem mentir assim?”.

Durante a conversa, Princesa se levantou e andou com dificuldade até o tapete onde batia sol. Foi uma cena triste de ver, porque suas pernas estão travadas, atrofiando, e suas ancas estão muito magras. Apesar da dificuldade e dor aparente, ela atravessou o quintal duas vezes, tomou água e urinou, demonstrando ter liberdade no ambiente.

Conflitos de vizinhança

Para Nicolau, não faz sentido alguém tirar foto e fazer acusações, criando um estardalhaço baseado em mentiras. “Posso processar os responsáveis por isso”, afirma ele, que teve seu endereço e depois o telefone divulgados na rede. “Não me importo porque moro aqui há 50 anos e não tenho o que esconder. Mas isso gerou esse transtorno de visitas e ameaças”, conta. “Tive que desligar o telefone à noite”.

Ficou evidente que há clima de desavença entre vizinhos. Uma das moradoras da mesma rua, conhecida como Espanhola, abriga dezenas de cães e também lhe causa problemas. “Ela passa todo dia aqui e joga um saco de comida no quintal porque acha que não alimento a cachorra”, reclama.

Por causa da Princesa, Nicolau já foi denunciado antes. Sua esposa conta que a vizinha do lado confessou que não gosta da cachorra porque late muito, principalmente no horário da novela. “Aí ela jogava salsicha na garagem pra ela ficar quieta. E depois foi até a delegacia fazer denúncia, que não deu em nada porque não tem nada errado aqui”.

Sugestão de sacrifício

Nicolau diz que ninguém ligou para prestar solidariedade.  “Ou perguntar se ela precisa de remédios, ou para contar história de cura da doença – só para xingar, acusar e me ameaçar”.

“Tem gente que é tão protetora que liga aqui dizendo para fazer eutanásia ética. Que proteção é essa? Se ela tiver que morrer, vai ser naturalmente”, conta Nicolau, que é contra o sacrifício. “Tenho fé que ela vai sobreviver, porque já melhorou, está andando e até latindo”.

Nicolau foi orientado por uma protetora a não atender mais ninguém, nem abrir sua casa para curiosos. A repercussão também atraiu uma veterinária do bairro, que acompanha o caso.

Protetores de Facebook

Por telefone, a protetora Ana Lúcia, que fez uma visita surpresa, considerou a denúncia “um desrespeito a pessoas que fazem o que podem com seu animal”, atitude típica de quem fica importunando os portões alheios. “Proteção animal é um assunto sério, de saúde pública”, afirma ela, que abriga mais de cem cães e milita na causa animal junto ao poder público da região. “Há muito o que fazer para se perder tempo com certas postagens de Facebook”.

O “Caso Carapicuíba” revela as consequências da divulgação de denúncias de abandono ou notícias de resgates sem confirmação de veracidade, pondo em xeque a credibilidade das páginas de protetores de animais no Facebook. Muitas acabam guerreando por maior número de “curtir” e “compartilhar”,  e até disputas por quem faz mais resgates…

No vídeo abaixo, a situação atual da Princesa, com imagens autorizadas pela família no dia 23 de agosto (após o suposto resgate).

Discussão

5 comentários sobre “Família reclama de ameaças após denúncia de maus-tratos a cão doente

  1. Gostaria de saber a realidade vivida por esta cadela, parece estar mesmo com dores, não teria como ajudá-la?
    Medicamentos por favor nos mantenham informados mais sempre com averdade.

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    Publicado por Maria Elisa | 27 de agosto de 2013, 15:12
  2. ola´ . como posso denunciar um vizinho que tem aproximadamente 40 caes dentro de casa , e sem quintal ? e p/ piorar solta alguns ´pastor alemao´ que avanca nas pessoas

    Curtir

    Publicado por vizinho | 3 de setembro de 2013, 18:51

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